De 4 a 5 de maio, a fronteira Ponta Porã-Pedro Juan Caballero virou capital binacional do futebol. O Santos veio jogar contra o Recoleta (Asuncion) pela Copa Sul-Americana no Estádio Monumental Rio Parapiti, em PJC — empate em 1 a 1. O efeito econômico foi mais imediato que o resultado em campo: a Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã (ACEPP) estima que o evento injetou R$ 2,5 milhoes na economia da fronteira em MS, segundo apuracao do portal Primeira Pagina.

Hotel lotado, comércio expandindo

Um dos principais hoteis de PP — 69 apartamentos na principal avenida — ficou lotado desde a semana anterior ao jogo, após a CONMEBOL confirmar a transferencia da partida para a cidade paraguaia. "São 69 apartamentos aqui, e desde a semana passada não tem mais vagas. A gente percebe que vem gente de tudo quanto é parte do país", disse João Renato, assessor de imprensa do hotel, ao Primeira Pagina.

O setor de alimentacao também reagiu. Em uma churrascaria da cidade, foi preciso contratar 30 a 40% a mais de mao de obra para dar conta da demanda. O copeiro Diamantino Aparecido Sarmento Maciel descreveu o cardapio reforcado: "Aquela picanha bem caprichada, meia lua, alho e oleo... E aquele arroz feijao especial e uma sopa paraguaia da fronteira, muito boa também."

Comércio ambulante também migrou. Josué Daza, vendedor de camisetas vindo de Ciudad del Este especificamente para o evento, trouxe mais de 15 mil camisetas de Santos, Seleção Brasileira e Seleção Paraguaia: "Chegou sabado e a gente já ta com a camiseta dos Santos. Tem muita gente que quer vir aqui ver o Neymar."

A chegada de Neymar em Ponta Porã

Neymar desembarcou no Aeroporto Internacional de Ponta Porã na tarde de segunda-feira (4), em voo comercial com o elenco do Santos. O coro 'Neymar na Seleção' ecoava no saguao enquanto um harpista tocava músicas paraguaias ao fundo. Neymar cumprimentou e autografou camisetas na sala de desembarque; do lado de fora, apenas acenou e entrou no onibus do clube.

Pelo Santos, o auxiliar técnico Cesar Sampaio falou em "retribuir o carinho com uma vitoria" e o técnico Cuca brincou com a memoria de 2013, ano do titulo do Santos pela Recopa: "Foi um ano que deu sorte, quem sabe não volta, ne?". O vereador de Ponta Porã Marcelino Nunes entregou ao craque uma garrafa termica personalizada — gesto que sintetiza o tipo de protocolo informal que a fronteira oferece a visitantes deste porte.

Os torcedores na rua

Em frente ao hotel onde o elenco se hospedou, do lado paraguaio, a movimentacao foi de fas vindos de 'todos os cantos do pais'. Alguns abriram brecha na agenda pra tentar contato com as estrelas. Celio Kawann, estudante brasileiro de medicina no Paraguai, foi sincero: "To matando aula agora nesse exato momento para ver o Neymar."

Fabio Miranda, consultor técnico, ficou desde as 10h em frente ao hotel: "Vim aqui na expectativa de ver a equipe. Consegui tirar foto com Gabriel Bom Tempo, Luan Perez, Diogenes — muitos jogadores sairam ali e a gente conseguiu. Fui feliz."

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O jogo

O Estádio Monumental Rio Parapiti — campo do 2 de Mayo, conhecido como 'Galo Nortenho' — recebeu o duelo na terca-feira a noite. Santos e Recoleta empataram em 1 a 1, resultado que mantem o time brasileiro vivo na fase de grupos da Copa Sul-Americana mas sem definir vaga.

A saida: jato de R$ 200 milhoes

Após o jogo, Neymar saiu separadamente do restante do elenco. Embarcou em jato particular Dassault Falcon 900LX (registro PS-NRJ) — modelo avaliado em R$ 200 milhoes a R$ 225 milhoes, com capacidade pra 12 a 14 passageiros, autonomia de cerca de 8.800 km e velocidade próxima de 1.000 km/h. O Falcon 900LX pousou no aeroporto de Ponta Porã por volta das 17h e decolou ainda na noite de 5/5, horas antes do voo da delegacao santista — marcado para 2h da madrugada.

Por que importa pra fronteira

O Santos confirmou tres coisas que a fronteira já sabia mas raramente articula: (1) PP-PJC tem infraestrutura logística pra eventos internacionais (aeroporto que aguenta voo comercial com elenco completo, estádio com mais de 20 mil lugares, hotelaria pra fluxo); (2) o turismo esportivo binacional funciona — torcedor brasileiro entra pra ver jogo em PJC e gasta dos dois lados; (3) eventos pontuais movem a economia local mais que um dia normal inteiro. Os R$ 2,5 milhoes em poucos dias equivalem a varias semanas de comércio comum. Resta saber se a região consegue puxar isso pra um calendario recorrente — ou se vai esperar o próximo Neymar passar.

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Fontes desta cobertura

A cobertura econômica (R$ 2,5 milhoes, hotel, churrascaria, vendedor) e do Primeira Pagina (Liniker Ribeiro e Augusto Castro, 5/5/2026). A cobertura da chegada e saida de Neymar e do Campo Grande News. Matéria no Primeira Pagina

MC
Redacao MaisCha

Equipe editorial do MaisCha, portal de consumo, vida cotidiana e gastronomia da fronteira Brasil-Paraguai. Apuracao colaborativa entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Amambay), com cobertura em portugues e espanhol quatro vezes ao dia. Conheça nosso método.